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Blog de Walmor Santos
 


Reflexões sobre leitura

            A internet faz escrever:

            Ao contrário do que se afirmava, prematuramente e imaturamente – a velocidade da comunicação virtual, não restringiu o uso da linguagem por simplificação e abreviaturas. Hoje, todos escrevem – a maioria, reconheçamos, mal – e, por paradoxal que pareça, é este escrever mal, que está se tornando consciente, que obriga a um maior cuidado com a linguagem. Ninguém quer passar vergonha.

 

            Porém, a escola, que não é responsável pela linguagem da internet, em grande parte dela, está jogando na vida adulta e após a conclusão do Ensino Médio um percentual de 75% de analfabetos funcionais. O teste Pisa, o resultado do vestibular e de concursos provam isso.

 

            O equilíbrio entre o uso da gramática e a leitura criativa é o que propiciará ao estudante um desenvolvimento harmônico e com maiores possibilidades. Se a Gramática permite construir o discurso, é a Leitura, com a consequente interpretação, que permite qualificar a escritura e a própria leitura. Portanto, da harmonia do estudo da gramática com o hábito da leitura é que se permitirá a construção do discurso.

 

            Sem considerar que a interpretação, fruto da leitura criativa, é a melhor ferramenta para a melhor compreensão, não apenas de todas as demais matérias quanto da própria vida.

 

            Ler e pensar:

Interpretar é decifrar palavras e o seu código. Cada palavra tem múltiplos significados e, ordenadas em seu conjunto, segundo uma vontade autoral, é que permitirá a decifração da ideia e uma compreensão da vida.

Ler ou escrever o óbvio não é arte. Arte é a escritura ou leitura de um texto com multiplicidade de significados.

Viver simploriamente é condenar-se a uma participação mínima na vida; saber ler ou ler-se é saber criar uma vida mais qualificada em sua própria vida.

Escreveu Heidegger: a linguagem é a morada do ser.



Escrito por Walmor Santos às 09h47
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Para um artigo sobre a Criatividade (I)


 I Parte

 

Meu filho Roberto, de cinco anos, fez um desenho no computador. Dizia que era um navio pirata. Imprimi o rascunho e o mandei colorir. Devolveu-o riscado, dizendo que tinha escrito um conto. Pedi-lhe que me contasse a história. Enquanto seu dedinho gordo perseguia a linha irregular sobre o papel e sua voz titubeante apanhava das palavras, fui inserindo dentro de um meu trabalho aquele ditado aparentemente sem pé nem cabeça. Apliquei ao Beto uma série de “comos e por quês?”, que ele respondia muito sério, talvez assustado com o que descobria. Assim nasceu O capitão pirata e o gênio invisível, uma história em parceria. Quase três anos depois, após quatro ou cinco tentativas de histórias, seria publicado o agora individual: Sombra da noite. Nasceu um escritor? Não sei. Ganhei um grande amigo e companheiro de tertúlias, cinema, teatro e inúmeras viagens.

 

Podemos interpretar criatividade como o encontro da experiência sensível com a expressão lingüística. É, simplificando, a organização racional das ideias a fim de alcançar um determinado resultado estético.

Quantos pais e professores só dizem: te acomoda, guri! Fica quieto, guri! Sossega, guri! Quantos ao ouvirem as chatas perguntas de crianças são capazes de estimulá-las na busca de respostas criativas ou quantos simplesmente mandam-nas calar, porque desejam terminar a leitura do jornal ou assistir a tevê, com noticiários sobre a violência, em paz?

Assim se mata na criança a criatividade. Adultos sérios foram capazes, quando crianças, de inventar brinquedos, fantasias, histórias, criar músicas, sonhar acordado. Fazer fofocas e mentir pode ser o início de um escritor. Para castrá-lo, basta reprimir a imaginação criadora. E a criatividade da criança pode tomar diferentes caminhos, pois a criatividade literária não é muito diferente da científica nem da comercial. Uma e outra, são frutos da curiosidade que pergunta por quê? E da vontade de encontrar respostas.

Estimula-se a criatividade ou se a mata.

Rollo May[1] diz que expressamos a nossa existência criando. A criatividade é a sequência natural do ser. 8

Criar é, no fundo, buscar alguma esperança no mundo. É dizer que ainda é possível fazer alguma coisa. E tentar fazê-la.

Ele ainda diz mais: a coragem criativa é a descoberta de novas formas, novos símbolos, novos padrões segundo os quais uma nova sociedade pode ser construída. 19

A arte é uma das formas de materializar a criatividade, os signos que criamos para dizer que há indignação e esperança diante da realidade. O artista é uma espécie de sacerdote de uma religião cujos deuses são a sensibilidade e a beleza. Esta religião não promete um céu futuro, mas tenta desvendar caminhos para um céu estético, porém íntimo, onde cada um pode encontrar o seu a partir de uma mesma leitura..

O artista busca o que James Joyce pôs na boca de sua personagem: Bem-vinda sejas, ó Vida. Vou, pela milionésima vez, ao encontro da realidade da experiência, para moldar na forja da minha alma a consciência ainda não criada da minha raça. Certa rebeldia contra a rotina da vida provoca no artista o desejo quase absoluto de criar outro mundo, mais de acordo com sua sensibilidade. Um mundo quase sempre apenas intuído e ainda não organizado. É a arte essa tentativa de organizar um mundo idealizado.

Criatividade é buscar caminhos no labirinto da existência.

Se o artista criador parece mais um neurótico no mundo, na realidade, ele pode ser neurótico pela consciência de querer algo quase impossível e pela obsessão em buscá-lo. No entanto, como neurótico, ele é o seu próprio médico ao praticar a arte da cura que é a própria arte que faz. Fazer é a terapia do criador. O ato criativo talvez seja, como diz Rollo May, a representação do mais alto grau de saúde emocional. 39

O texto é fruição para o leitor e (quase) realização para o artista.

Ideias todos podem ter e a toda hora. Força de vontade é que é a questão. Sem se pôr a materializá-las, todas as ideias são vãs, quimeras, inúteis.

Conheci certa jovem que se dizia escritora. Perguntei-lhe como estavam seus trabalhos. Respondeu-me que tinha mais de duzentos contos começados. Tornei a perguntar: e prontos. Disse-me, desenxabida, que não tinha saco para o acabamento e revisão. Compreendi, então, porque nada dava certo em sua vida e porque era tão infeliz.

A criatividade é o encontro do ser humano intensamente consciente com o seu mundo. Diz Rollo May, 52.

Creio, talvez, que a criatividade é a busca de uma possível oportunidade de encontro.

Uma das grandes dores do artista é a aparente irreconciliabilidade entre a idealização do criador com a realização da obra imaginada. E esta dor é que o alimenta na busca permanente de algo novo, ainda mais criativo, mais bem acabado, o que jamais acontecerá, pois cada degrau alcançado representa a possibilidade de um outro degrau superior. E, como Sísifo, ele continuará buscando esse novo degrau, até o esgotamento que nunca se dará.

A paixão do artista pela ideia criada é que o move, mesmo diante da miserável remuneração, das dificuldades cotidianas, da incompreensão humana. E a sua paixão é o seu alimento. O conflito do artista é superar a mediocridade da vida minúscula, que ele se recusa aceitar.

Heráclito: O conflito é o rei e o pai de todos. Conflito pressupõe limite, e a luta contra os limites é na realidade a fonte do produto



Escrito por Walmor Santos às 09h35
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Para um artigo sobre a Criatividade (II)

II parte

 

Heráclito: O conflito é o rei e o pai de todos. Conflito pressupõe limite, e a luta contra os limites é na realidade a fonte do produto criado.

O conflito criativo surge do choque entre a ideia concebida e os limites do artista. A obra de arte é o resultado nem sempre bem-sucedido da criação artística com os limites do criador.

Dar forma à idéia. Essa exige imaginação e perseverança.

A imaginação permite revestir a velha ideia com novas cores, tornando quase original o que já foi utilizado mil vezes.

Criar, talvez, seja apenas buscar respostas. Não tão simplesmente qualquer resposta. Mas uma especial que se sonha, que se idealiza, que se busca com trabalho e engenhosidade.

Criatividade pode ser descrita como sendo um abandono de todas as certezas. O psicólogo Abraham Maslow, citado por Comparato, diz que as pessoas criativas são exatamente aquelas que enfrentam essas incertezas.

Mas devemos a Hegel a implantação definitiva da distinção entre “imaginação” e “fantasia”. Ambas são, para ele, determinações da inteligência: mas a inteligência como imaginação é simplesmente reprodutiva; como fantasia é, ao contrário, criativa[1].137

A criatividade é realmente condição necessária da vida cotidiana...

Criatividade é uma resposta do homem ao conflito de viver.

Criatividade não é uma propriedade exclusiva das artes.

D.H. Lawrence, citado por Henry Miller: Mas o ser mais poderoso é aquele que caminha em direção à flor ainda desconhecida! E mais adiante: O poema é o sonho feito carne, num duplo sentido: como obra de arte e como vida, que é uma obra de arte. Quando o homem se torna inteiramente consciente de sua capacidade, de seu papel, de seu destino, ele é um artista e cessa de lutar com a realidade. (...) Vive integralmente o seu sonho do Paraíso. Transmuta sua experiência real de vida em equações espirituais. Despreza o alfabeto normal, que produz no máximo uma gramática do pensamento, e adota o símbolo, a metáfora, o ideograma. Escreve chinês. Cria um mundo impossível com uma linguagem incompreensível, uma mentira que encanta e escraviza os homens. Não é que seja incapaz de viver. Pelo contrário, seu gosto pela vida é tão forte, tão voraz que o força a se matar repetidamente. Morre muitas vezes para poder viver inúmeras vidas. Desta maneira sacia sua vingança da vida e exerce o seu poder sobre homens. Cria a lenda dele mesmo, a mentira em que se afirma como herói e deus, a mentira na qual triunfa sobre a vida. (...) Ele é coerente em sua ideia: a vida tem um significado simbólico. O que vale dizer que a vida e a arte são uma coisa só.

Na pessoa do artista resume-se toda a evolução histórica do homem. Sua obra é uma grande metáfora, que revela através da imagem e do símbolo todo o ciclo do desenvolvimento cultural em que o homem passou de ser primitivo a ser civilizado e entediado.

 

Disse Antônio Skármeta a Mempo Giardinelli: O que mais me interessa na literatura é a comunicação. É uma questão de temperamento. Alegra-me o fato de estar junto dos outros, e o que me interessa é estabelecer-me, através da palavra, neste mundo real[2]. 64

A civilização é uma metáfora do artista.

Ah, e sabe-se mais dos grandes artistas do passado do que se conhece dos políticos que governaram civilizações. Enquanto os práticos morrem em sua morte, os artistas renascem para a eternidade com a dama negra.

 



[1] GIANNI Rodari. Gramática da fantasia, São Paulo: Summus Editorial, 1982, p. 137.

[2] GIARDINELLI, Mempo, in Assim se escreve um conto, Porto Alegre: Editora Mercado Aberto, 1994, p. 64.



Escrito por Walmor Santos às 09h33
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Para Lu, com car'amor

            Amada,

nenhum espaço do Universo

cabe em um verso.

O inverso, o caos de cada um,

ocupa todos os espaços.

 

Mas insisto em procurar

o meu lugar, no paraíso

dentre teus braços.



Escrito por Walmor Santos às 11h04
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Para pensar...

O mundo só é imenso para quem é pequeno; e se torna muito pequeno para quem se faz grande.



Escrito por Walmor Santos às 09h24
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POE'meu

 

Ah, como preciso de uma noite

De sono pesado e com sonhos leves

Como a penumbra que desce ao cair da tarde

 

Mas quando em plena escuridão

Que todas as cores repintem os sonhos

E coloram o meu coração.

 

E entre tanto silêncio, que eu ouça

A tua voz sussurrando boleros

Que dizem beija-me, que muito te quero.

 



Escrito por Walmor Santos às 11h49
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A Bíblia e suas contradições

Interessante o mandamento: não cobiçarás a mulher do próximo...

Ao homem judeu era proibido cobiçar a mulher do próximo, mas quem era apedrejada, em caso de cobiça saciada, em praça pública era somente a mulher...

No entanto, para ela o mandamento não proibia cobiçar o homem da próxima...



Escrito por Walmor Santos às 16h37
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Meus livros publicados

Estou com mais de 20 títulos publicados, algumas em várias edições. Porém decidi deixar esgotar os vários livros de contos e fazer apenas uma antologia com os melhores(?) textos, que provavelmente receberá o título de Alquimia para transportar demônios ao céu (antologia pessoal).

Acho que este título tem mais a ver com o conjunto da obra, onde minha visão pessoal de vida (religiosa, poderia escrever, pois considero a Arte como a maior de todas as religiões, por ser transcendente e transformadora de indivíduos).

Transcrevo, abaixo, trecho da carta de Ivan Pedro de Martins, autor da famosa trilogia do pampa, com obras publicadas pela Editora Movimento (P. Alegre):

Meu caro Walmor Santos, pode ficar sabendo que seus livros são dos mais fortes documentos humanos que li há muito tempo e há mais, você sabe escrever (...)

É bom encontrar no final de um século desatinado alguém como você que sabe do ofício, ama o semelhante, sabe o que é tragédia de viver e representa literariamente o conceito do Gorki: não há baixeza em que caia o ser humano que impeça de erguer-se e poder dizer: como sôa nobremente a palavra homem. – Ivan Pedro de Martins, em carta ao autor.



Escrito por Walmor Santos às 16h34
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Um POE`meu à Lua

Inútil espera

esperança vã

A noite continua escura.

Apenas um vampiro

sobrevoa às cegas

em busca de luz,

Ainda que seja

da morena lua.

 



Escrito por Walmor Santos às 22h27
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Paradoxo

Assistindo a um gol sensacional, de calcanhar, de Juninho Pernambucano, em jogo entre o Al Gharafa e o Al Arabi, válido pela do Qatar, fiquei perplexo: no campo, os jogadores exibiam-se de pernas de fora; na arquibancada, assistindo aquilo que para a cultura deles é quase stripe-tease, um bando de homens com saias brancas.

 



Escrito por Walmor Santos às 11h30
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PARA PENSAR!...

Este texto não é de minha autoria, mas o adotei por ser algo que faz grande falta entre nós:

 

Para reflexão e... muita ação.

 

         A diferença entre os países pobres e os ricos não é a idade do País.

         Isso pode ser demonstrado por países como Índia e Egito, que tem mais de 2000 anos e são países pobres.

         Por outro lado, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que há 150 anos eram inexpressivos, hoje são países desenvolvidos e ricos.

         A diferença entre países pobre e ricos também não reside nos recursos naturais disponíveis.

O Japão possui um território limitado, 80% montanhoso, inadequado para a agricultura e a criação de gado, mas é a segunda economia mundial. O país é como uma imensa fábrica flutuante, importando matéria-prima do mundo todo e exportando produtos manufaturados.

Outro exemplo é o da Suíça, que não planta cacau mas tem o melhor chocolate do mundo. Em seu pequeno território cria animais e cultiva o solo em apenas 4 meses por ano. Não obstante, fabrica laticínios da melhor qualidade. É um país pequeno que passa uma imagem de segurança, ordem e trabalho, o que o transformou na caixa forte do mundo.

Executivos de países ricos que se relacionam com seus pares de países pobres mostram que não há diferença intelectual significativa. A raça ou a cor da pele também não são importantes: imigrantes rotulados de preguiçosos em seus países de origem são a força produtiva de países ricos.

 

Qual é então a diferença?

A diferença é a atitude das pessoas, moldada ao longo dos anos pela educação e pela cultura. Ao analisarmos a conduta das pessoas nos países ricos e desenvolvidos, constatamos que a grande maioria segue os seguintes princípios de vida:

1. A ética como princípio básico.

2. A integridade.

3. A responsabilidade.

4. O respeito às leis e aos regulamentos.

5. O respeito aos direitos dos demais cidadãos.

6, O amor ao trabalho.

7. O esforço pela poupança e pelo investimento.

8. O desejo de superação.

9. A pontualidade.

 

Nos países pobres apenas uma minoria segue esses princípios básicos em sua vida diária.

Não somos pobres por que nos faltam os recursos naturais ou por que a natureza foi cruel conosco. Somos pobres porque nos falta atitude e porque nos falta vontade de cumprir e de ensinar esses princípios de funcionamento das sociedades ricas e desenvolvidas.

 

 



Escrito por Walmor Santos às 10h20
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A felicidade

A utopia está lá no horizonte.

Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos.

Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.

Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.

Para que serve a utopia, então?

Serve para isso: para caminharmos.

Eduardo Galeano

 

Para que serve a Arte?

Será que existe a resposta perfeita?

Particularmente, gosto da Arte que me transforma, me transporta, que me faz querer ser mais do que sou.

Hoje assisti a um filme: Os garotos estão de volta. Filme de Scott Hicks, com Clive Owen. Simploriamente é a história de um pai desajeitado, depois desnorteado, que procura a felicidade junto aos seus dois filhos.

Claro que chorei aos cântaros. Por quê? Talvez por identidade, pois em em certo tempo de minha vida, também me separei e morei com vários filhos (duas meninas e dois meninos). E eu sequer tinha empregada ou sabia cozinhar. Nem era perfeito. Os filhos sabem. E ninguém morreu. Exceto eu, várias vezes, infinitas vezes. Não por culpa deles, mas por minha culpa. Eu era apenas um humano desejando ter asas de anjo para fazê-los voar.

E os amava muito. E a ex, amava demais.

A Arte serve para nos dar o Norte da felicidade perfeita, que os filmes, os livros e todas as demais manifestações artísticas nos dizem ser metas possíveis de alcançar. Ainda que, por paradoxal que pareça, somos sempre levados a acreditar que tal amor e felicidade são possíveis, mesmo que neles (nos filmes e livros) os finais sejam sempre trágicos. E por isso choramos. E por isso, acreditamos num utópico ideal, ainda que a vida seja aparentemente tão decepcionante.

A dor existe e é inversamente proporcional, em sua longa duração, a felicidade, sempre curta e fugidia.

Mas por que ainda continuamos acreditando na felicidade?

Magias da Arte. Ela nos consegue roubar, de nós e de nossa insignificância, o comodismo e nos transportar para além, onde nossos ideais e sonhos moram.

Por isso luto e choro, não por desespero, mas por crença.

Enquanto a Arte me alimentar continuarei vivo.

 

 



Escrito por Walmor Santos às 21h47
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Quem somos?

Nessa era da informação queremos saber sobre tudo. E tudo está à nossa disposição.

Saber sobre tudo é muito importante. Mas não é o que mais importa.

O mais importante é saber mais, cada dia mais, sobre nós mesmo. Mas para esse aprendizado não temos tempo.

 

Tarde demais nos damos conta do quão pouco sabemos sobre quem somos, qual o nosso lugar no mundo e por que existimos.

Tarde demais nos damos conta de que passamos em brancas nuvens e que não foi para isso que vivemos.

 

Ainda haverá tempo para aprender?

 

 



Escrito por Walmor Santos às 21h56
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Walmor Souza dos Santos

Tenho santos de todo o tipo,

Padroeiros cada qual do seu ofício.

Eu sou dos Santos, mais que de um somente,

Pois todos os demônios habitam em mim.

 

Queria ser Lúcifer: o que traz a luz

Mas meu candeeiro é tênue,

Bruxuleia como as coisas desta alma.

 

Santo? Lúcifer? Coitado dos

Eus em mim, que vacilam,

Todos na busca do prazer de ser

Mais que santo, um homem pleno.

 



Escrito por Walmor Santos às 16h29
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Marcas do tempo

                                             Para uma amiga que me escreveu:

                                                      Pois é... também estou com medo desse reencontro... o tempo... tu sabes...

 

Eu também não sou mais o mesmo.

Nem sei onde mudei, se mais por dentro ou por fora.

 

Por fora, as marcas que o espelho me conta;

Por dentro, decepções e esperanças,

E ambas se mostram dores maiores.

 

Se na casca, os desenhos marcam a passagem das horas,

Que logo viram dias, meses e anos quase séculos,

Por dentro, o pêlo da alma pede passagem

Rasgando nervos, quebrando sonhos, revelando auroras.

 

Nasce, sob a casca, um anjo

Feito de lutas e de sonhos,

Divina experiência que só o viver nos dá.

 

 



Escrito por Walmor Santos às 16h30
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