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Blog de Walmor Santos
 


filhos e lágrimas

         Todo mundo diz: homem não chora!

Eu desisti da busca de um que jamais tenha chorado.

Conheci, sim, alguns que afirmam: Eu não sou maricas!

Eu lhes respondo: Marica, não! Mentiroso, sim!

 

O homem chora por dor, que é o choro mais comum;

Chora por saudade, que é choro escondido;

E por amor ele chora com desespero e ternura.

Ah... como se chora!

 

Mas onde homem algum resiste ao choro é no momento milagroso da paternidade.

 

Talvez alguns, por distância ou... não tenham chorado ao ver o filho pela primeira vez...

Mas chorará se o filho morrer ou chorará se o filho alcançar a aborrecência.

Pois esse filho jovem, dividido entre o que pensa ser e o que realmente é, há de magoar com espinho e fel a seus pais de forma tão cruel que, se fosse eles as vítimas, buscariam o suicídio como pseudo-salvação.

 

No entanto, o tempo dá calos e resistência aos pais que realmente amam.



Escrito por Walmor Santos às 18h35
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Da superficialidade das coisas

Jovens trocam de aparelho celular tanto quanto trocam de cuecas. Alguns, talvez até mais...

O que está por trás disso?

A rapidez da informação tanto quanto a velocidade tecnológica a tudo parecem condicionar. A verdade de hoje superou a de ontem, salvo que seja outra criança jogada pela janela ou arrastada pelo carro; salvo que outra notícia mais trágica ou mais imoral aconteça.

E a tecnologia torna hoje obsoleto o que ontem fora novidade. É a sociedade de consumo, via mídia, apressando o obsoletismo das coisas.

E como mais se vê do que se pensa, o que aliás faz parte do interesse midiático, consumir é a ordem.

Como não posso comprar tudo o que desejo, perco o pouco que tenho para obrigar-me, consciente ou inconscientemente, a substituir o ontem pelo hoje, que logo precisará ser substituído pelo amanhã, que nada mais será que outro hoje, logo, outro ontem...

Será que Freud explica?

Ou serei um delirante oprimido entre a receita pessoal e a máquina fast food que, se eu não a acompanhar, ela me descartará numa lixeira qualquer.

Velho, sim, sou! Descartável, ainda não! Embora, por vezes, surpreendo-me tentando enfiar o saco de lixo na cabeça, feito avestruz, para não ver a pressa do tempo, que tem sempre o mesm0 desapressamento, mas que fatalmente me descartará no grande rio.

Talvez essa seja a maior lição da idade madura: viver sem pressa! Afinal, já corremos tanto!

Hoje, maduros, sabemos que a maior parte daquela nossa  jovial corrida sequer valera as penas.



Escrito por Walmor Santos às 15h06
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Entrevista sobre o livro Contestado, a guerra dos equívocos

CONTESTADO – A GUERRA DOS EQUÍVOCOS

O poder da fé (Vol. 1)

 

O escritor catarinense Walmor Santos recria ficcionalmente a Guerra do Contestado, passagem essencial, mas pouco estudada nacionalmente da história brasileira, em Contestado – A guerra dos equívocos. O poder da fé, primeiro volume da obra (o segundo, A fé no poder, está sendo finalizada) chega às livrarias em maio pela Editora Record. “Se em Santa Catarina muito se estuda o tema, no resto do país ele é praticamente ignorado. Creio ser uma nefasta herança da ditadura dos anos 1970. Só recentemente os professores de História – fora de Santa Catarina – começaram a explorar essa nefasta guerra.” O autor estudou o tema por mais de um década antes de comecar a escrever a obra: “Como catarinense, eu buscava ler sobre o estado. Um dia deparei-me com o tema. O fascínio foi absoluto desde o primeiro momento, ainda em 1992. De lá para cá foram dezenas de livros lidos e milhares de páginas escritas, para resultar, somente por absoluta persistência ou absurda teimosia, no primeiro volume.” Autor de mais de 20 livros, premiado com o Palavra Viva de 2008 pelo conjunto de sua obra para o publico infantil, juvenil e adulto, Walmor Santos conta como foi recriar, ficionalmente, uma passagem histórica. “Foi a pior experiência literária em que me enfronhei. Gosto de desafios e costumo me propor técnicas ou temas novos. Mas o fato verídico é uma camisa-de-força para o ficcionista. A vontade de fugir deste presídio foi tamanha que, por várias vezes, rasguei os originais, apaguei-os do computador desejando esquecê-lo. Mas obcecado que estava pelo tema, logo recomeçava outra vez.”

 

 

 Flávio Izhaki - “Toda guerra, como qualquer luta, é a prova definitiva da estupidez humana.” Você usa essa epígrafe para o livro. De onde tirou a frase? O que pensa sobre ela no contexto da Guerra do Contestado?

 

            A frase é minha. Resultou do sentimento dolorido pela leitura de textos sobre a guerra do Contestado que, sem dúvida, resulta de uma série de equívocos, a comprovar que o ser humano, esteja em funções diretivas ou religiosas, é de uma estupidez que, imagino, faça até Deus duvidar de si e de sua criação.

A mesquinharia, o orgulho, a prepotência e a ganância, além da ignorância, desencadearam pequenas confusões que, somando-se umas as outras, geraram vários conflitos que, também somados, resultaram nessa grande e estúpida tragédia. Como se fossem pequenas vertentes ácidas, arroios envenenados, que se somaram para resultar em portentosa represa que, de repente, se rompe sobre um vale de deserdados.

Por exemplo, de um frustrado imperador-festeiro criou-se o imperador da monarquia cabocla; podia-se dar terra aos americanos, mas se a negava aos caboclos que, no mínimo, tinham uti possidetis; no aparato de missões militares com “missões” de aniquilamento de caboclos e a serviço dos coronéis e dos americanos da ferrovia e das madeireiras, mas acabaram municiando os “rebeldes”. Equívocos assim se contam às dezenas.

Mas sobraram alguns divertidos equívocos, como as ações mágicas do exército encantado, que aparecerão no volume II, A fé no poder.

 

Flávio Izhaki - Como o tema chamou sua atenção? Como foi a pesquisa para escrever o romance? Quanto tempo durou a pesquisa?

 

            Como catarinense, eu buscava ler sobre o estado. Um dia deparei-me com o tema. O fascínio foi absoluto desde o primeiro momento, ainda em 1992. De lá para cá foram dezenas de livros lidos e milhares de páginas escritas, para resultar, somente por absoluta persistência ou absurda teimosia, no primeiro volume.

            Creio que o tema mereceria um grande escritor. Mas, fazer o quê... Sem outro, fui à luta.

 

Flávio Izhaki - Por que resolveu contar a história em forma romanceada e não em termos históricos ou jornalísticos?

 

            Sou ficcionista. Livros históricos têm vários, e alguns excelentes. Li dezenas de obras embora tenha selecionado apenas umas quatro para acompanhar minha escrita. Fiz pesquisas na região e troquei correspondência com historiadores. Encontrei também obras antigas que me ajudaram a dar certo clima ficcional à região e sua sociedade, como os volumes sobre frei Rogério Neuhaus. Também encontrei um livro que me esclareceu sobre como o câncer era visto em 1930.

Por afinidade temática, como acontece em meus contos, foquei neste primeiro volume o aspecto religioso, conflitando a Igreja Católica tradicional com o catolicismo caboclo. Assim, temos um frei Rogério, figura exemplar (optei recriá-lo nos últimos dias de vida), fazendo profunda e honesta reflexão sobre sua real participação na guerra, na qual foi considerado o pacificador, o que considero outro equívoco, pois na época de luta sequer esteve como devia estar, por ser um franciscano, ao lado dos oprimidos. Enquanto ele rezava missa para os militares e abençoava canhões, impedido de entrar nos redutos, onde o queriam morto, o personagem ficcional Marcelino, caboclo aculturado pelos frades alemães, chafurdava entre os miseráveis, como se fora ele o Francisco de Assis ao lado dos caboclos massacrados pelo exército brasileiro, através do cerco cruel que os aniquilava pela fome, tifo ou bala.

 

Flávio Izhaki - No prólogo o senhor faz extensa apresentação da região, situando o tempo e as personagens, desde a origem até a eclosão do conflito. Qual foi o propósito?

 

            Com sinceridade – ou pretensão – acho que esse prólogo sustenta o livro. Conflitos de divisas tivemos desde antes da “descoberta” do Brasil: Tordesilhas passava ao lado, portugueses e espanhóis, pois. Depois, espremida entre as províncias de São Paulo e a de São Pedro – briga de santos – com o olho gordo do Paraná e de Santa Catarina, também com os argentinos (pela divisa física) e com os americanos (pelo famigerado grupo de Percival Farqhuar – lembram da ferrovia Madeira-Mamoré?), enfim... raízes venenosas, de efeito lento mas devastador.

 

Flávio Izhaki - O senhor tem vasta obra literária anterior a esse livro. Como foi escrever um livro amparado em fatos históricos e não somente na imaginação?

 

            Foi a pior experiência literária com que me enfronhei. Gosto de desafios e costumo me propor técnicas ou temas novos. Mas o fato verídico é uma camisa-de-força para o ficcionista. A vontade de fugir deste presídio foi tamanha que, por várias vezes, rasguei os originais, apaguei-os do computador desejando esquecê-lo. Mas obcecado que estava pelo tema, logo recomeçava outra vez.

            Moacyr Scliar disse certa vez que, em obras baseadas em fatos históricos, ele costumava ler tudo o que encontrava. Depois, buscava esquecer o lido para realizar a ficção. Creio que ouvir este acadêmico deu-me luz para seguir adiante. Em contraponto ao real frei Rogério, criei Marcolino e, pretensiosamente penso, aproximei o texto de uma pretensa narrativa barroca, confrontando corpo e espírito, tanto do queridíssimo frei Rogério quando do terno Marcolino.

 

Flávio Izhaki - O que você pensa sobre a forma que a Guerra do Contestado é ensinada nas escolas?

           

Em Santa Catarina se dá tanta importância ao tema quanto no Rio Grande do Sul se cultua a Guerra dos Farrapos. Tanto que existe a Universidade do Contestado, com vários campis em cidades da região outrora conflagrada. Soube, inclusive – e espero que seja verdade –, que a História do Contestado é cadeira obrigatória nas faculdades da região. Mas creio que o Contestado foi maior que a revolução Farroupilha e maior ainda do que Canudos.

Se em Santa Catarina muito se estuda o tema, no resto do país praticamente ele é ignorado. Creio ser uma nefasta herança da ditadura dos anos 1970. Só recentemente os professores de História – fora de Santa Catarina – começaram a explorar essa nefasta guerra.

Quando, em minhas palestras, falo com entusiasmo sobre o assunto, muitos professores me perguntam se é ficção ou se realmente existiu tal guerra. Raros sabem algo com propriedade sobre o que aconteceu, do que se tratava, onde o palco histórico, desconhecendo de sua tragicidade e de seu caráter dantesco. Isso considero terrível, pois acredito que sem conhecer o passado o homem não pode construir o futuro.

 

Flávio Izhaki - O que pretende enfocar no segundo volume da obra, A fé no poder? O livro já está escrito?

 

            O “copião” está pronto e é levemente maior em número de páginas do que o volume I. Porém o retrabalho formalmente, apenas um capítulo por semana, para dar a qualidade possível.

            Neste volume II tratarei da relação entre o poder caboclo, feito de crendices, magia e desespero, contra o poder oficial, representado por refestelados coronéis-fazendeiros, por vaidosos militares, por gananciosos políticos e até mesmo pela equivocada religião oficial.

            No início, temi por um texto maniqueísta, mas hoje creio ser obrigação reequilibrar aquela balança história, cujo fiel estava na extrema direita da época.

            Escrever, tanto o volume I quanto o II, já me fez chorar algumas vezes e rir outras tantas.

 



Escrito por Walmor Santos às 16h18
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Contestado

Lançamento com sessão de autógrafos

Dia 14 de abril de 2009, terça-feira, a partir das 19h

Livraria Cultura

Shopping Bourbon Country

Rua Túlio de Rose, 80 – loja 302

Porto Alegre, RS

 

 

 

CONTESTADO

A guerra dos equívocos – O poder da fé

Walmor Santos

Editora Record

272 páginas

Preço: R$ 39,00

Formato: 14 x 21 cm

ISBN: 978-85-01-08445-3

 

 

Livro enfoca os equívocos da Guerra do Contestado

O escritor catarinense Walmor Santos mistura fato e ficção em romance histórico

 

A Guerra do Contestado – conflito armado entre a população cabocla e o poder estadual e federal nos estados do Paraná e Santa Catarina no começo do século XX – foi um dos mais importantes movimentos sociais do país. Com narrativa ágil e fluente, Walmor Santos recria o universo da época enfocando o aspecto religioso e messiânico do conflito. CONTESTADO acaba de sair da gráfica da Editora Record e chega às livrarias no dia 27 de março.

 

 

Após 15 anos de pesquisa, Walmor Santos encarou o desafio de redigir um extenso romance sobre um fato histórico que há tempos o fascinava, como escritor catarinense: a Guerra do Contestado, conflito armado entre a população cabocla e o poder estadual e federal nos Estados do Paraná e Santa Catarina no começo do século XX.

Na primeira parte de CONTESTADO, com o subtítulo O poder da fé, o autor enfoca o aspecto religioso e messiânico do que afirma ter sido um equivocado conflito entre o catolicismo caboclo e o ortodoxo. Tendo como pano de fundo um dos mais importantes movimentos sociais do país, a história perpassa da figura histórica do frei Rogério Neuhaus para a personagem ficcional de Marcolino, um menino do mato que se vê dividido entre ser puro como são Francisco ou entregar-se à experiência carnal com Mariana, a caingangue que o enfeitiça.

Ao longo do romance, Walmor Santos arrola os enganos históricos que se deram na chamada Guerra do Contestado: uma guerra inútil, a população vivendo à míngua nos latifúndios da erva-mate, o maquiavélico problema dos limites entre os Estados de Santa Catarina e Paraná, a fundação de cidades santas, a crendice e o misticismo em conflito com a Igreja Católica, a miséria. Oprimidas e ignorantes, as populações envolvidas buscam, ingenuamente, um modo de fugir da crueza da vida real. Como reação, negam as relações sociais impostas e são impiedosamente massacradas.

Uma das poucas obras que retratam este importante conflito, CONTESTADO vai agradar estudantes, professores e todos aqueles que se interessam pela História do Brasil.

 

Nascido em Santa Catarina e residente em Porto Alegre, o ex-presidente da Associação Gaúcha de Escritores Walmor Santos é proprietário da WS Editor, uma pequena empresa que se dedica a lançar novos escritores e a levá-los às escolas. Autor dedicado aos públicos infantil, juvenil e adulto, teve várias de suas obras premiadas. Em 2001 foi indicado ao Prêmio Jabuti pela novela A noite de todas as noites.

 



Escrito por Walmor Santos às 16h14
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Bolero

O bolero é uma espécie de religião, onde corpo e espírito, de um homem e de uma mulher, em delicada reverência comungam da sensibilidade e do prazer. Dançar um bolero é enlevar-se acima da matéria, além da paixão. Um exercício de leveza de alma.

 



Escrito por Walmor Santos às 16h13
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O meu romance...

Depois de mais de 15 anos trabalhando no romance sobre a guerra do Contestado, fato histórico que envolveu os estados de Santa Catarina e do Paraná, no início da segunda década do século passado, finalmente estará saindo o primeiro volume, pela Record.

Minha história está estruturada em dois volumes, como segue:

Contestado: a guerra dos equívocos.

Volume I - O poder da fé. Neste volume ficcionalizo em cima do conflito religioso travado entre o catolicismo caboclo, na figura dos dois monges João Maria e do José Maria, com o catolicismo tradicional, representado na figura do frei Rogério Neuhaus.

No Volume II - A fé no poder. Neste estou trabalhando o conflito do poder caboclo, centrado na figura magnífica do Adeodato, o flagelo de Deus, contra os militares e os coronéis fazendeiros, na disputa pelo - mais que a posse da terra - o direito de viver. 

Aproveitei as férias na WS Editor para trabalhar neste segundo volume, fazendo um copião da história que me envolverá nos dois próximos anos.

Enfim, trabalhar no que se gosta é a melhor maneira de tirar uma boas e merecidas férias.



Escrito por Walmor Santos às 15h16
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POE'meus

 

- I -

 

Creio em ti

por que és absurda:

nenhuma palavra explica

mistérios que te deusificam.

 

Prostrado, te venero:

Amemo-nos!

 

 

 

- II -

 

Os riscos do teu corpo,

os ritos,

os risos,

a lágrima que vinca:

Digitais de tua alma

marcando a pele

da minha.

 

Somos um no outro

carbono indelével

a irradiar potências.

 

 

 

- III -

 

A língua é leito

onde palavras bulem

a alma amorosa.

 

O corpo tremeluz,

pêlos se eriçam,

poros são abertos

e o amor penetra.

 

A palavra é sêmen,

A alma, seara,

o orgasmo, colheita.

 

Verão pleno.

 

 

 

- IV -

 

Na plenitude não há palavras.

Só o vazio a tudo preenche.

 

Tanto maior o discurso

quanto menos se tem a dizer.

 

O amor dispensa loas.

O olhar é eloqüente.

 

 

 

- V -

 

O êxtase amoroso a dois

é experiência solitária

ainda que,

a dois.

a plenitude alcancem.

 

A plenitude amorosa

é indivisível.

 

 

 

- VI -

 

O sexo supremo

é solidão a dois.

 

Na entrega, o amante

refugia-se em si.

 

Não há como ser dois.

O Supremo é uno.

 

O amor é o orgasmo de Deus.

 

 



Escrito por Walmor Santos às 15h41
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Amor!

Sobre o amor dadivoso.

Amar é ser doador; quem apenas cobra é gigolô!

 

 



Escrito por Walmor Santos às 10h22
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À deriva

 

 

 

Nem âncora

Nem porto:

Derivo-me.

 

Vésper ou Cruzeiro do Sul,

Ilha ou navio,

Onde estás?

 

Vapor na solidão,

Esfumaço-me!

 

 

 



Escrito por Walmor Santos às 10h50
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Walmor Santos recebe o Troféu Palavra Viva

             O Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal do RS - Sintrajufe RS, anualmente concede o Troféu Palavra Viva para um escritor gaúcho. Neste ano, o homenageado é escritor, editor e criador de projetos de leitura Walmor Santos.

  O convite foi entregue por Bárbara Kern Wilbert, Coordenadora da Secretaria de Formação, Cultura e Lazer, do Sintrajufe-RS, em 3 de setembro de 2008. A entrega do Troféu Palavra Viva será no dia 17 de outubro de 2008, às 20h, no auditório do Sindicato dos Bancários, sito à rua General Câmara, 424, em Porto Alegre.

 

  À frente da editora WS Editor, Walmor tem revelado inúmeros autores gaúchos, ao publicá-los. Também implementou o projeto “Autor na Sala de Aula” e o "Projeto Comunidade Leitora, que contribuem para a formação de leitores literários na Região Sul, atuando principalmente no RS, em parcerias com escolas e secretarias da Educação.

  Walmor Santos é contista, poeta e romancista, tendo texto escritos para crianças, adolescentes e adultos, além de pesquisador sobre a teoria do conto. Ministrou várias oficinas sobre o conto. Também proferiu dezenas de palestras motivacionais para professores, sobre o tema: Leitura - a arte da transform(ação).

 

  A preocupação do Sintrajufe RS, ao criar o Troféu Palavra Viva, é que toda palavra literária é fonte de reflexão e de prazer. No tanto que possui de arte, abre os olhos e as consciências, torna o ser humano cidadão de fato, visto que a leitura é condição essencial de vida e de transformação. Assim, escritores e escritoras, através da singular arquitetura das palavras, fomentam novas consciências, novas possibilidades existenciais, novas experiências estéticas. Escrever e ler, pois, são condições essenciais para, de fato, se estar vivo.

  Nessa dimensão, a partir da realização do 2º Concurso Literário Mario Quintana, a Secretaria de Cultura do SINTRAJUFERS, instituiu o TROFÉU PALAVRA VIVA, com os objetivos de homenagear autores gaúchos pelo conjunto de sua obra; divulgar a produção literária realizada no Rio Grande do Sul; ressaltar a qualidade da literatura sul-rio-grandense em todas as suas manifestações.

  Assim, anualmente, sob a coordenação da Secretaria de Cultura, será escolhido(a) um(a) escritor(a) gaúcho(a) que receberá homenagem por sua dedicação à escrita literária, sendo-lhe entregue o troféu PALAVRA VIVA, em cerimônia a ser realizada no segundo semestre de cada ano.

  Em 2006, o homenageado foi o escritor Sérgio Napp, em virtude do conjunto de sua obra e pela sua dedicação à arte literária, bem como pelo seu trabalho como diretor da Casa de Cultura Mario Quintana, durante três gestões, promovendo diversas atividades que visavam à formação e qualificação dos leitores gaúchos. Em 2007, a homenagem foi para Marô Barbieri. Escritora de vários livros que priorizam o público infantil, a autora tem desenvolvido atividades de formação de leitores, destacando-se também como promotora de eventos de capacitação de professores, tais como o Encontro Internacional de Contadores de Histórias e o 1º Fórum de Literatura Infanto-Juvenil de Porto Alegre, além de presidir a Associação Gaúcha de Escritores (AGE) durante duas gestões, reativando a instituição e idealizando, junto com o grupo de diretores, o Prêmio Livro do Ano.

 



Escrito por Walmor Santos às 17h49
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O pano de prato

Tenho em casa um velho pano de prato. Está puido, soltando fios. Suas estampas trazem esmaecidas marcas das mãos de uma criança.

Quando recebo visitas, escondo-o. Se estou só, utilizo-o com ternura demasiada.

Um homem velho e um velho pano de prato. Piegas pra valer!

Mas como me desfazer dele, se nele está, em várias cores, as mãos do meu neto Matheus?



Escrito por Walmor Santos às 09h11
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Juro que vi

Eu caminhava por uma calçada, quando vi a mulher, na ponta dos pés, tentando roubar a flor de um pátio gradeado. Era realmente linda aquela flor.

Ao lado dela, uma menina de uns cinco anos, suplicava com voz chorosa:

- Mãe, não arranca!



Escrito por Walmor Santos às 09h07
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SINTRAJUFERS concede Troféu Palavra Viva a Walmor Santos

  Toda palavra literária é fonte de reflexão e de prazer. No tanto que possui de arte, abre os olhos e as consciências, torna o ser humano cidadão de fato, visto que a leitura é condição essencial de vida e de transformação. Assim, escritores e escritoras, através da singular arquitetura das palavras, fomentam novas consciências, novas possibilidades existenciais, novas experiências estéticas. Escrever e ler, pois, são condições essenciais para, de fato, se estar vivo.

  Nessa dimensão, a partir da realização do 2º Concurso Literário Mario Quintana, a Secretaria de Cultura do SINTRAJUFERS, instituiu o TROFÉU PALAVRA VIVA, com os objetivos de homenagear autores gaúchos pelo conjunto de sua obra; divulgar a produção literária realizada no Rio Grande do Sul; ressaltar a qualidade da literatura sul-rio-grandense em todas as suas manifestações.
 
  Assim, anualmente, sob a coordenação da Secretaria de Cultura, será escolhido(a) um(a) escritor(a) gaúcho(a) que receberá homenagem por sua dedicação à escrita literária, sendo-lhe entregue o troféu PALAVRA VIVA, em cerimônia a ser realizada no segundo semestre de cada ano.

  Em 2006, o homenageado foi o escritor Sérgio Napp, em virtude do conjunto de sua obra e pela sua dedicação à arte literária, bem como pelo seu trabalho como diretor da Casa de Cultura Mario Quintana, durante três gestões, promovendo diversas atividades que visavam à formação e qualificação dos leitores gaúchos. Em 2007, a homenagem foi para Marô Barbieri. Escritora de vários livros que priorizam o público infantil, a autora tem desenvolvido atividades de formação de leitores, destacando-se também como promotora de eventos de capacitação de professores, tais como o Encontro Internacional de Contadores de Histórias e o 1º Fórum de Literatura Infanto-Juvenil de Porto Alegre, além de presidir a Associação Gaúcha de Escritores (AGE) durante duas gestões, reativando a instituição e idealizando, junto com o grupo de diretores, o Prêmio Livro do Ano.

  Em 2008, o Palavra Viva homenagea o escritor e editor Walmor Santos. À frente da editora WS Editor, Walmor revelou o nome de vários autores gaúchos, ao publicá-los e ao implementar o projeto “Autor na Sala de Aula”, que contribui com a formação de leitores literários na capital e em várias cidades do interior do RS, por vezes atendendo também cidades de SC e PR. Walmor Santos é contista, poeta e romancista, tendo texto escritos para crianças, adolescentes e adultos.



Escrito por Walmor Santos às 15h01
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Ter, parecer e ser

          O diabo da posse...

         Com meus livros não foi diferente: queria tê-los. Juntava um ao outro, com enorme dificuldade, contando exemplares para dizer que já passavam de dez, vinte, duzentos, três mil...

         Certa vez, ainda menino, mostrei à vizinhança a minha primeira biblioteca. As paredes do meu quarto estavam cobertas de livros. Quem passava, deixava o olhar de admiração. Eu tinha o poder! Na verdade, tudo não passava de uns pôsteres que eu havia ganhado na antiga Editora Globo e que reproduziam lombadas de livros.

         Porém, por causa não da quantidade, mas da qualidade de alguns livros de verdade, comecei a perceber a diferença entre ter e ser. Quantos livros, perguntava-me sem obter resposta, será preciso ler para ser?

         Um deles, O homem medíocre, de José Ingenieros, sacudiu toda a minha estrutura; Outro, A sociedade do espetáculo, apresentado por João Batista, de Brasília, me ajudou na libertação do parecer. Mas foi A grande síntese, de Pietro Ubaldi, que me permitiu intuir com mais clareza quem sou e o que faço por aqui. Talvez essas três obras sejam os livros da minha vida.

         Amo tanto os livros que desejei me libertar deles. Ficar com livro estacionado na prateleira pode ser bom para os olhos, mas faz um mal terrível ao coração. Livro parado não ganha leitores!

Decidi, então, dividir com outros possíveis leitores os exemplares que me chegaram ou me chegam às mãos.

Desde há muito tempo venho doando os exemplares que compro ou ganho para bibliotecas escolares e, não raramente, para amigos. Tenho a ingênua imaginação de ver, em algum momento futuro, o livro a sorrir diante do leitor extasiado. Juro que vejo um par de olhos esperançoso de encontrar naquelas páginas o texto exemplar para sua vida.

 



Escrito por Walmor Santos às 16h31
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comentários

 [Katia ] 
Walmor, Que linda história! Vivo em São Paulo e costumo dizer que esta é uma cidade cheia de caipiras, mas só nota quem quer. Dou carona de guarda-chuva, troco abraços no ambiente corporativo, observo gestos cotidianos de extrema delicadeza, enfim, somos muitos a nos negarmos a viver numa cidade monstruosa.

13/07/2008 20:05

Escrito por Walmor Santos às 10h42
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